Das Lutas

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Encontro das Bruxas na Jornada Mundial da Juventude

As bruxas se reuniam para a chegada do papa. O encontro ocorreu na tarde do dia 22/07/13, no Largo do Machado, local próximo ao Palácio do Governado do Rio de Janeiro. Eram bruxas, ciganas, bailarinas, índias, negras, loiras, morenas. Eram mulheres, mulheres livres, que fizeram da praça o seu “confessionário”. Confessaram seus “pecados” e proclamaram seu próprio perdão. Despejavam seus segredos mais honestos e seus tabus mais conhecidos. Ser mulher e já ter vivido uma situação de humilhação, já ter sido violada física ou psicologicamente. Ser mulher e se aceitar mulher, aceitar o seu desejo de forma livre, com homens e mulheres. Ser mulher e não ser cristã e não aceitar as denominações e dogmas cristãos para o corpo feminino.

Dançaram, cantaram, defenderam a laicidade do Estado e professaram a fé libertária. A mulher deve ser dona do seu próprio corpo e ser livre para decidir sobre si mesma. Muita gente se aproximou e se contagiou com tanta alegria e beleza. Sim, elas chamavam toda a atenção na praça. Alguns peregrinos da JMJ começaram a orar, disputando os olhares que eram voltados para as bruxas. Mas elas não vieram para brigar. Entre elas não havia espaço para a intolerância. Afinal, esse não era uma ato em desrespeito ao papa e aos cristãos. Era um ato de afirmação do feminino, da vida e da liberdade.

E que venha a Marcha das Vadias! No próximo sábado, dia 27/07/13, em Copacabana.

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4 comentários em “Encontro das Bruxas na Jornada Mundial da Juventude

  1. marielfernandes
    24 de julho de 2013

    De verdade, é só uma pergunta: era mesmo preciso ir a um encontro católico (não sou), onde milhares foram para celebrar a presença do papa e a fé no que acreditam. Pra mim, soou invasivo, sem propósito e dispensável. Ser mulher é ter uma certa sensibilidade para a fronteira tênue que existe entre a manifestação livre e a mera e as coisas sem noção. Queria saber tua opinião.

  2. Caroline da Luz
    24 de julho de 2013

    Vejo esse encontro como um ato político de afirmação do feminino diante do evento de uma Igreja (assim como tantas outras) que não considera a igualdade entre homens e mulheres, que reprime o desejo da mulher e que é contra o direito que a mulher deve ter sobre o seu corpo, já que a Igreja católica é contra o aborto. É um ato a favor da laicidade do Estado, já que o aborto é proibido por conta da moral religiosa. As relações de poder em nossa sociedade ainda são marcadas pelo machismo, poucos são os espaços em que a fala das mulheres tem o mesmo espaço que a fala dos homens. Conheço locais em que o estupro é socialmente aceito, considerado natural. Hoje, estamos diante de uma aberração, um retrocesso sem igual, o Estatuto do Nascituro, que vai dar legitimidade ao estuprador, podendo esse ocupar o lugar de pai caso o estupro resulte em gravidez. Fora essa questão, é preciso questionar porque o Estado brasileiro gastou milhões com a visita de um chefe religioso. Democracia é quando decidimos, quando participamos, e não quando um evento dessa proporção é imposto debaixo de nossos narizes, com o dinheiro que é público, e não de apenas um grupo religioso. Além do mais, a praça é pública, não é dos cristãos, ou de qualquer outro grupo. As meninas deram seu recado, mas deixaram claro que não era um ato de intolerância religiosa. As diferenças existem, e devem se encontrar na praça. Foi isso o que ocorreu nesse dia. http://www.dgabc.com.br/Noticia/462420/estatuto-do-nascituro-e-retrocesso-de-direitos

  3. Sheila
    24 de julho de 2013

    Nada de sem noção! O que li no texto é bem coerente, a Laicidade.do Estado não é respeitada, vemos isso diariamente, a existencia de uma Bancada Religiosa, por si, afronta um dos principios fundamentais da República a Laicidade. Em se tratando de protesto feminino, acho que é válido sim, uma vez que todas as religiões – sem exceção- punem as mulheres, classificam, julgam, impoem, maltratam.Religião é sinonimo de opressão contra as mulheres! Nem cabe aqui as tantas atrocidades que foram e que são praticadas contra as mulheres em nome das religiões! Vou apenas citar o que há de mais atual em nosso País, a tal lei do nascituro, essa lei já é uma preparação para LEGALIZAR o “estupro” e CONDENAR o aborto!! É inacreditável essa ideia da lei do estuprador ser determinado como Pai!O que o estado não pode fazer é impor a toda a população feminina o ponto de vista de um grupo de religiosos radicais! E o machismo reina usufruindo de dogmas religiosos É muita hipocrisia….é até criticar sendo homem, pois não existe a possibilidade de ser violentado e ainda ser obrigado a se relacionar com seu agressor para o resto da vida né?!!

  4. Sheila
    24 de julho de 2013

    * É muita hipocrisia….é fácil criticar sendo homem, pois não existe a possibilidade de ser violentado e ainda ser obrigado a se relacionar com seu agressor para o resto da vida né?!!

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