Das Lutas

Coletivo

ACABOU O AMOR, ISSO AQUI JÁ VIROU PALMARES.

 

Campanha Reja@ ou será mort@!

Campanha Reja@ ou será mort@!

 

Campanha Reaja ou será morta, reaja ou será morto!

 

Há 09 anos, no dia 12 de maio de 2005, construímos um lugar de resistência e luta: a Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto. Ocupamos a Secretaria de Segurança Publica do Estado da Bahia (SSP-BA), tomamos as ruas, articulamos as comunidades desde baixo da hierarquia socio-racial que divide a cidade. Nunca mais a política racial se permitiu ao silêncio sobre o Sistema de Justiça Criminal no Brasil. Esse silêncio aterrador que paira sobre a politica local, esse massacre cotidiano que cala intelectuais e políticos que se contentam em destilar seus palavreados imponentes contra nós que nos recusamos a fazer papel de “bom cabrito”. Pautamos o racismo e a Segurança Pública, desafinamos o coro dos contentes que se mostram agora diante de tanta desgraça, inventando truques e malabarismos jurídicos para esquivar o Governo do Estado da Bahia de sua responsabilidade com as mortes durante a greve da Policia Militar do Estado.

Do Governo do Estado, devemos cobrar a cota de responsabilidade pelos massacres perpetrados contra nós, os pretos e pretas que sofreram durante a greve um terror, uma sangria genocida, mais do mesmo do que temos visto na política de Segurança Pública da Bahia. O atual vice governador e candidato ao Senado Federal pela chapa governista, Otto Alencar, filho político, amigo pessoal do “Coronel” Antônio Carlos Magalhães, esta semana, declarou ser favorável à pena de morte e à redução da Maioridade Penal. Vendo o estrago criado em nossas comunidades pela política de segurança e política carcerária, percebemos qual a tese central do governo quando opta por criar bases de segurança em comunidades de maioria negra em detrimento de políticas sociais que passam ao largo de onde moramos. Temos ainda que responsabilizar a ASPRA – Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia e toda sua direção, todos seus simpatizantes muitos deles misturados entre “nós” nessa promiscuidade de ativistas que surge nessa conjuntura. Responsabilizar as agremiações militare, APPM-BA, AOPM-BA Força Invicta, AOAPM-BA, ABSSO-BA e a Associação dos Bombeiros Militares da Bahia.

Somos a Campanha Reaja , uma Campanha contra o Racismo , o Sexisimo, a Homofobia e Pela Vida. Sabemos que arrastamos muitos com nosso exemplo e que nos acompanhar não é tarefa para quem optou por ser pautado pela Casa Grande. A política de segurança do governo é o Pacto Pela Vida, precedido pelo discurso fascista do bem contra o mal. O Governo, pela caneta do Secretário de Segurança, pela omissão dos Secretários de Justiça e de Direitos Humanos e pela incapacidade da tese de Promoção da Igualdade em mudar algo em nosso favor, teve seu avant-premiere com a lei de defesa social LEI Nº 12.357DE 26 DE SETEMBRO DE 2011, mais um lixo jurídico da ditadura que é reformado para atender aos interesses dessa indústria poderosa de violência que gera tanto lucro para a turma do Palácio de Ondina e para as tradicionais empresas de armas, segurança e prisão. A turma mergulhada nos intestinos podres do Governo, como seus amigos no Quartel dos Aflitos e suas teses pomposas debatidas nos bares chiques do Rio Vermelho não podem mais se esconder nos discursos inflamados de ocasião. Tomaram um lado, que se expliquem a história não a nós que temos mais o que fazer. Como diz o Professor e advogado Samuel Vida, sofrem da síndrome do ornitorrinco, não sabem se são pato ou se são aves, se rastejam ou se surfam no nosso sangue derramado, não sabem se são governo ou movimento e nessa mistura falam um monte de bobagem em nosso nome…Não somos seu inimigos, nossos inimigos são outros poderosos que operam a máquina sangrenta e os mandam para acalmar as ruas, criar confusão entre os que querem a verdadeira mudança. Mas também não somos seus amigos ou aliados. O Governo se esmerou na construção de um arcabouço teórico construído por seus amiguinhos da UFBA, UNEB e as ONGs “bem intencionadas”, primeiros a beber nosso sangue transmutado em cifras de editais milionários.

Na Politica Carcerária nós, com nosso núcleo de familiares e amigos de presos e presas, denunciamos a criação de uma colônia penal numa comunidade reconhecida como Quilombola( Pitanga dos Palmares), em área de licença ambiental (APA). O presídio fere o princípio da prevenção, mas falamos sozinhos e vimos nossos companheiros-as e amigos-as encarcerados-as sofrerem tortura, transferências ilegais e banimento para cadeias federais como se no Brasil existisse pena de banimento. Denunciamos o racismo contido na compra dos 20 contêineres para prender presos negros numa extensão da lógica escravista de nos tratar como uma mercadoria lucrativa, empilhados em gaiolas de metal. Denunciamos as penitenciárias que surgem no modelo privatizado e que não impedem – como nunca foram impedidas – as mortes e torturas, pelos métodos de investigação da delegacia e pelos achaques da polícia ostensiva. Lotamos as prisões num super encarceramento só visto em regimes de exceção. Se tá bom para alguém não é para nós, não para os negros e negras da Bahia.

Aí vem o candidato do Governo a ocupar o Palácio de Ondina, Rui Costa, num discurso revelador, dizer em palavras atravessadas que apoia a redução da maioridade penal ( Bahia Noticias) fazendo coro a todo atraso e conservadorismo que eles dizem combater. Sob esse ponto todos os candidatos ao governo da Bahia, ou sua maioria, querem um Código Penal mais duro e punitivista, lixam-se para o garantismo penal e por isso de certa forma fortalecem nosso linchamento. A Campanha Reaja articula a II Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro, a Marcha se espalha pelo Brasil e faz eco no exterior como uma ação política independente, como um instrumento de mobilização de negros e negras: nós pautando o governo sem aceitar sermos pautados. A Marcha em Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul, Campinas, Ceará, Brasília e em todo Brasil, aponta para a organização de nosso povo para propor uma redefinição do conceito de nação e superação dessas desigualdades que só ocorrerá com um outro modelo criado a partir de nossa libertação.

A Reaja Vive! É pela vida que lembramos e damos nome aos nossos mortos e mortas

Axé e luta

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Informação

Publicado em 19 de maio de 2014 por em Resistências Estéticas.
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