Das Lutas

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Relato de um professor em greve na semana que antecede o #naovaitercopa 2014

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fonte: http://revolution-news.com/brazilian-teachers-protest-met-baton-strikes-tear-gas/

Para nós, essa semana não começou na segunda feira. Ela teve início na assembleia do dia 22/05/2014, quando foi decidido que faríamos dois atos da educação em luta. Um no aeroporto internacional do Galeão e outro em Teresópolis. Ambos para “recepcionar” a seleção brasileira.

A intenção era clara, bem direcionada e propagandeada na internet. Fazer atos para pressionar o governo a uma negociação e que evidenciassem nossa pauta de reivindicações de greve, especialmente o reajuste de 20% e a conquista de 1/3 dos da carga horária para planejamento de aulas e trabalho de gabinete como corrigir provas, planejamento, etc.

É um fato que nossa greve não tem adesão massiva, resultado de duas greves brutalmente reprimidas 2011 e 2013. Em 2011 a Secretaria de estado de educação SEEDUC RJ ao perceber a adesão em massa, desencadeou um plano maquiavélico de perseguições e assédio moral sistemático contra grevistas. Isso fez com que muit@s que fizeram greve não mais usassem esse instrumento. Principalmente pela reposição de aulas que afetava muito a vida profissional de boa parte da categoria. Em 2013, além dessas perseguições foi instalado o estado de violência policial contra educadores. Desempenhado com veemência pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ). Xs educadores e sindicato começaram a ser tratados como inimigos do estado sobre pressão internacional e agora território da FIFA.

O que se sucedeu em 2014 foi um resultado de 2013. Uma greve sem tanta adesão para pressionar governos e uma maioria de colegas dando aulas normalmente, fingindo que nada está acontecendo. Contudo, brav@s grerreir@s resistiram lutando pela educação publica de qualidade e ess@s certamente vão entrar para história. Não apenas por sua luta, mas também pela capacidade de desmascarar o governo. Apesar de pouc@s, brincamos que @s que fazem essa greve são @s 300 do SEPE, em referencia ao filme 300.

Não precisava de mais que 300 professorxs para fazer o grande ato do aeroporto galeão (segunda feira dia 26/05/2014). Porém como não escondemos nada da população a PMERJ também já sabia e na manhã daquele dia exerceu sua tirania apreendendo TODAS as vans e ônibus que levariam xs professorxs para o ato. Usavam a argumentação de que aquela apreensão era sobre o artigo 243, ou seja, tráfico de drogas pelo código penal. Isso mesmo! Algo absurdo e que nunca foi provado. Sabíamos que aquele era o estado de repressão nos perseguindo com a PM obedecendo ordens para destruir a luta pela educação. Entretanto, o tiro saiu pela culatra.

Com todas as vans e ônibus apreendidas professorxs seguiram de taxis e ônibus para o aeroporto fazendo com que fossem muito menos perceptíveis as vistas da segurança local ( embora todxs estivessem de preto, simbolizando o luto pela educação). Com uma informação de que logo os jogadores sairiam do hotel do aeroporto saímos pela pista principal em procissão (calados e sem cantar, não era uma passeata).

A PM não nos percebeu novamente, embora fosse algo em torno de 400 pessoas andando e correndo em direção a saída do hotel. Quando lá chegamos havia muitos profissionais de imprensa trabalhando. Surpreenderam-se, logo começaram a dar a visibilidade que estávamos buscando. Sabíamos que ali a polícia não seria truculenta. Afinal, boa parte era de jornalistas estrangeiros.

A PM fez um cordão de isolamento em torno do ônibus da seleção, e em um gesto de inteligência coletiva, professoras cercaram o veiculo e começaram a pregar adesivos. Pronto, a cena estava feita, nunca na história da seleção de futebol ela fora recebida assim. Era algo sintomático que seria explorado pelos meios de comunicação e que jogaria para o povo a contradição entre os milionários do futebol e os pobres da educação.

O restante desse dia foi o inicio de truculência rapidamente abafada por lentes estrangeiras. A ordem parecia clara. Não usar violência. Todavia, o pior estaria por vir.

Em nossa agenda estava marcado um novo ato para quarta feira dia 28/05/2014. Como a greve é unificada entre o município do Rio de Janeiro e o estado do mesmo, o ato tirado em assembleia era uma passeata da prefeitura em direção a secretaria de educação do estado.

Naquele dia a PMERJ estava bem diferente. Tivemos informes de que o secretário de (des)segurança do estado teve uma reunião com a presidente Dilma e mais alguns representantes das forças de segurança. Daquela reunião saiu a deliberação de que o exercito ficaria responsável pela segurança das delegações. Era um recado claro de que Beltrame e a PMERJ haviam sido chamados de incompetente pelo alto escalão do estado brasileiro. Sem duvidas o esporro que tomou nesse encontro foi repassado por todas hierarquias envolvidas. Constataríamos isso na atuação do aparato de repressão na quarta feira.

Desde o começo do ato nossas professoras foram atacadas por soldados da tropa de choque. O alvo eram as mulheres. Era evidente que a ordem era aquela. A conduta dos ataques foi a mesma: com total brutalidade pegavam as professoras pelo cabelo enrolavam em suas mãos e tentavam joga- las no chão. Mas nossas educadoras são guerreiras e a resistência foi combativa, impedindo que a brutalidade fosse pior. Apesar disso, uma professora foi presa, e sem fazer nada, foi pega pelo cabelo, jogada no chão, estrangulada, algemada e após totalmente rendida, jogaram spray de pimenta em seu rosto.

Sempre fui simpático ao feminismo, mas agora tenho total certeza de que a revolução tem que ser pelas mulheres. Mais do que machista o mundo é misógino. Naquele momento tive total certeza de que aqueles soldados da tropa de choque são treinados para odiar e violentar mulheres. Era a vingança pelo ato do aeroporto. Como ficara evidente a incompetência da segurança para lidar com os mega eventos a PM resolveu descontar isso nas educadoras.

Não nos rendemos. Na sexta feira dia 30/05/2014 fizemos outra assembleia e mesmo ameaçados com corte de salário, processo administrativo e demissão continuamos na luta, e em greve ativa pela melhoria da educação.

Posso dizer com orgulho. Sou um dxs 300 do SEPE!!! Seja bem vindo a luta. #voltaprarua

 

Um comentário em “Relato de um professor em greve na semana que antecede o #naovaitercopa 2014

  1. AntimidiaBlog
    1 de junho de 2014

    Republicou isso em reblogador.

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