Das Lutas

Coletivo

RESISTÊNCIAS JUVENIS DURANTE O REGIME NAZISTA NA ALEMANHA

Sophie Scholl, do grupo antinazista Rosa Branca, assassinada em 1943, aos 22 anos, por sua luta e resistência.

Sophie Scholl, do grupo antinazista Rosa Branca, assassinada em 1943, aos 22 anos, por sua luta e resistência.

[Texto transcrito de panfleto distribuído na Feira Anarquista de São Paulo de 2014 – sem indicação de autoria ou de coletivo]

Quando se pensa na época em que o nazismo dominava a Alemanha, muitos imaginam que toda a população aceitava as ideias nazistas. Felizmente, isso não é verdade, pois por mais que haja opressão e manipulação, sempre há pessoas com espírito crítico e liberto, e são essas pessoas os agentes da mudança.

Houve sim resistência antinazista por parte de uma parcela da população alemã, principalmente jovens, antes e durante a II Guerra.

Haviam anarquistas, comunistas, até padres católicos e Testemunhas de Jeová que, cada qual a seu modo, faziam oposição ao partido nazista. Mas irei me deter a falar dos movimentos de jovens que fizeram a sua parte, embora de forma trágica, pois a maioria foi presa, torturada e assassinada pelos seguidores dessa ideia cruel e intolerante.

O grupo Rosa Branca era formado por estudantes universitários e cristãos que produziam panfletos pacifistas com trechos do Apocalipse (da Bíblia) e frases antinazistas. Muitos haviam estado no front de guerra e participado da Juventude Hitlerista, mas tinham se desiludido por enxergar a realidade de violência e extermínio nos locais da guerra. Infelizmente, foram delatados dentro da própria universidade, presos pela Gestapo e guilhotinados, no caso, Cristoph Probst e os irmãos Hans e Sophie Scholl. Não pretendiam condenar Sophie por ser mulher, e, assim, considerá-la um ser sem vontade própria e influenciada pelo irmão, mas ela se mostrou uma pessoa de fibra, não delatando companheiros, assumindo como suas as ações do grupo Rosa Branca em por não mostrar nenhum arrependimento de suas convicções. “Não me arrependo, pois os errados são vocês” – declarou antes da execução em 22 de fevereiro de 1943. Entre fevereiro e outubro do mesmo ano foram mortos mais de 50 integrantes do Rosa Branca.

Na cidade de Colônia, Dusseldorf e região, havia os Piratas do Edelweiss ou Navajos, que, a princípio, não era um grupo político organizado, mas um grupo de contestação ao sistema da época, enfim, uma contracultura (embora esse tema vir a aparecer nos anos 60, encaixa-se para a movimentação dos Piratas). Eram jovens que vinham de classe baixa, gostavam de ouvir e tocar música, acampar, visual característico (camisa xadrez, calções pretos e meias brancas, cabelo mais comprido do que o usado na época, broches com a flor de edelweiss, uma caveira com ossos cruzados) e um grande ódio pela Juventude Hitlerista, tanto que era comum brigarem quando se encontravam (alguma semelhança dos punks contra carecas e white powers?!), pichavam frases de protesto pelos muros da cidade e muitas garotas também participavam dos Piratas. Com o passar do tempo, esses jovens iam se politizando e começaram a proteger fugitivos de guerra, judeus, a sabotar tanques de guerra, roubarem cargas de alimentos e armas que iam para o front de guerra, imprimir e distribuir panfletos, chegaram até a sequestrar o Chefe da Gestapo de Colônia e estreitaram suas ligações com grupos clandestinos e comunistas.

O Leipzig Meuten, ou Gangue de Leipzig (cidade alemã), se assemelhavam aos Piratas, por gostar de música, acampar, também procuravam se libertar sexualmente e em comportamentos longe dos padrões impostos pela época, odiavam a Juventude Hitlerista, eram proletários e de vivência nas ruas, o que os diferenciavam era ser assumidamente comunistas, não ligados ao Partido Comunista, mas de aderirem aos valores e ideias comunistas e fazerem propaganda do comunismo e seus valores.

Havia também a Swing Jugend, que eram jovens de classe alta, que adoravam os valores e moda da juventude americana e gostavam de ouvir e dançar o swing (música que deu origem ao jazz), era só uma oposição comportamental, mas também houve perseguição por parte dos nazistas, devido ao fato de eles adotarem comportamentos do inimigo (EUA), curtirem música negra, aceitarem judeus no seu meio e por ter um comportamento mais sexualmente livre.

Esses são alguns exemplos, dentre tantos outros que estão esquecidos pela História.

Creio que não exista de todo um povo fechar os olhos e aceitar passivamente ser comandado. Sempre haverá alguém para questionar e se revoltar!

Monumento em homenagem à Rosa Branca, em frente à Universidade Ludwig Maximilian em Munique.

Monumento em homenagem à Rosa Branca, em frente à Universidade Ludwig Maximilian em Munique.

Bons filmes sobre o tema:

– “Uma mulher contra Hitler” (Sophie Scholl – Die letzten tage, 2007), direção de Marc Rothemund, duração 114 min.
– “Irmãos de guerra” (Edelweiss Pirates, 2005).
– “Últimos rebeldes (Swing kids, 1993).

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Publicado às 11 de novembro de 2014 por em Memória das lutas, Para seguir lutando e marcado , .
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