Das Lutas

Coletivo

Caso Cabula e a Proeza da Guerra Midiática do Governo da Bahia Contra os Familiares de Mortos por Seus Agentes Fardados ou Como Fazer Mística e Sorrir com Seu Executor: Faça a luta, Fecha a Cara

ameaças

 

Os Direitos Humanos no Estado da Bahia, governado pelo PT e seus aliados, são os Direitos Humanos dos cachorros. A vida de um cachorro, morto pela brutalidade de um policial irritado com latidos e urina, tem mais valor que a vida de 14 garotos mortos na Vila Moisés – Cabula. No dia 06 de fevereiro de 2015, Policiais da RONDESP (Rondas Especiais da Policia Militar) ceifaram a vida de meninos negros na Vila Moisés – Cabula, numa sanha genocida sem precedentes. Na mesma noite, em outro bairro de maioria negra, a mesma polícia especializada matou dois jovens negros em Cosme de Farias, sem gerar até hoje repercussão, clamor ou esse barulho que se faz em redes sociais enquanto a desgraça alheia é servida quente e em segurança. Os mortos se amontoam pelo Estado da Bahia, cifras ocultas em inquéritos policias que eliminam o principio da neutralidade e blindam os autores quando são agentes de Estado e não dão o menor valor a vida negra. Um modelo de segurança pública tão letal quanto Auschwitz, baseado no racismo, neocolonialismo e na necropolítica. Qualquer discurso de promoção de igualdade nesse contexto é perfumaria e serve como justificativa ao Governo que mata, enviam seus emissários negros para o meio da guerra, falam em avanços e dizem que estão fazendo alguma coisa.

A política de Direitos Humanos da Bahia, que deveria ser um contraponto moralmente satisfatório aos descalabros da Secretaria de Segurança Pública, se tornou uma piada, um chiste, um embaraço para quem ocupa aqueles cargos meramente políticos que se arranja para acomodar apadrinhados. Por pelo menos 09 anos de administração petista ridiculamente brandida como democrática, participativa e popular, vimos as aberrações dos dispositivos de segurança: contêineres para prender pretos como mercadoria, presídio em área quilombola (Colônia Penal de Simões Filho) e o desmonte da história de enfrentamento de organizações e militantes importantes para causa negra e dos direitos humanos. Quem se desempregou por esses dias de novo mandato deveria parar de arrotar radicalidade, já que deu sua cota-parte para engordar a fera.

A constrangedora entrevista coletiva do Secretario de Segurança Publica do Estado da Bahia, Mauricio Barbosa, esse cowboy fitness, xerife engomado, carrasco de fala mansa, repercute a política de tolerância zero e a guerra ao terror entre nossos bairros colonialmente ocupados pela sua “SS” neonazista. A violenta polícia especializada RONDESP.

Barbosa

A Entrevista Coletiva do Secretário de Segurança foi mais um capítulo de cinismo e crueldade que se tornou costume nessa terra de tropicalismo crivado por determinantes raciais com o objetivo de nos manter subalternos, encobrindo o conflito e a barbárie, a letalidade, o terror, o medo e o espetáculo de nossa dor. Aqui cantor branco de axé faz de seguranças pretos “camarote andante”. Aqui tudo é escravidão e morte, não temos espaço para celebrar avanços.

Mauricio Barbosa, segundo dados amplamente veiculados, é responsável em sua administração por 25 mil homicídios no Estado. Dá para aferir, sem qualquer necessidade de tabulação sociológica, que boa parte desses mortos são negros e negras jovens, boa parte deve ter sido morta por agentes de Estado, outra parte importante é morta por grupos de extermínio tão tolerados pela segurança pública baiana. Assim, mistura tudo e você tem uma receita ideal de holocausto.

Esse secretário herdou do anterior a prática eugênica de batizar operações policiais como: Operações Saneamento I e II, Operação Quilombo e, sem meias palavras, ampliou o plano higienista e lombrosiano com seus dispositivos de segurança saídos diretos das verbas de publicidade para as TVs baianas, em programas de rapinagem midiática, escoltando corpos negros nas delegacias para expor ao escárnio, a humilhação e ao deboche, quando deveria zelar pelo princípio da presunção da inocência e do devido processo legal.

O Baralho do Crime, a Cartilha de Orientação de Tatuagem, tudo isso nascido da barriga podre do “Pacto Pela Vida”, que aqueceu a indústria da segurança na Bahia e deixou alguma “verbazinha” pra turma de “esquerda” desfilar nos festejos da Mudança do Garcia com a logomarca sinistra do programa que espalha UPPs. Esse mesmo programa que não apresenta os serviços tão prometidos nas reuniões de conselhos e redes de enfrentamento e combate ao racismo, talvez acreditem que dançar, fazer mística, aquecimento corporal entre uma chacina e outra pode resolver nossos problemas de extermínio, achaque, tortura, estupro, intimidações e desaparecimento forçado.

Rondesp Djean

O Secretário faz bem seu jogo de cena, estuda e discute o script com Rui Costa, Governador artilheiro, Governador que corre para o abraço dos oficiais da PM que aplaudem a guerra que se pratica contra NÓS, OS NEGROS E NEGRAS. O Governador que chora pelos cães, pelas baleias, pelos insetos, que não se sensibiliza pela dor das mães, avós, pais e familiares de vítimas de seu esquema desastroso de segurança.

Sob esse panorama de terror, encarceramento e morte e um véu de mentiras, golpe midiático e cinismo, o Secretário de Segurança Pública do Estado da Bahia apresentou um inquérito policial fora do tempo constitucional, fora da moralidade jurídica e fora da neutralidade exigida a um gestor de um governo que se forjou no falso discurso de democrático popular e de republicano.

O inquérito apresentado é artefato sem validade, uma declaração de derrota “do Grande Monstro Governo” frente à nossa luta política nacional e internacional para dar visibilidade ao que ficou conhecido como caso Cabula, ou Matança do Cabula, ou Chacina do Cabula, ou Massacre do Cabula. Para que não caísse no silêncio ou no esquecimento, conforme a conjuntura exige aos submetidos ao palácio de Ondina ou do Planalto.

Estamos mergulhados num estado racista policial, um estado penal indisfarçável, legitimado pela fala do próprio Governador do Estado que sem máscara opõe a “sociedade” aos negros das ruas, vilas e favelas, das cadeias e presídios. As instituições de defesa de direitos não dizem uma palavra diante do profundo poço de sangue negro que se tornou a Bahia: se calam, disputam conselhos e editais.

 

rondesp sergio

Nós Somos a Campanha Reaja. Chegamos até aqui pulando precipícios, desafiando o poder, nos opondo às mentiras, ao medo e à covardia, enterrando entes queridos. Lutamos por nossa própria conta, sem tutela e em consequência sofrendo ameaças, intimidações, boicotes, prisões e morte. Nós somos a Reaja e nos espalhamos em serviços comunitários e luta, nos tornamos invisíveis, poderosas, poderosos, arregimentando irmãs, irmãos e aliados por todo canto. Como bem fala Fredy Aganju: é bom saber que o mais importante em nós é subterrâneo.

Ainda sobre o Cabula

A Chacina do Cabula foi um ato de execução sumária e extrajudicial sem disfarce, um ato de eliminação cruel. Os policiais envolvidos contavam com o silêncio, a acomodação e a inércia que marcam a conjuntura de luta racial e por direitos humanos na Bahia. A Reaja não se permite morrer em silêncio e há muito não esperamos nada dos governos para tratar de nossos problemas.

O Secretario de Segurança Pública cumpriu as ordens do Governador Rui Costa e foi para a imprensa (parte dela beneficiada por verba de publicidade oficial) apresentar uma farsa jurídica que não sobrevive à mínima analise técnica, por isso um ato desesperado fadado ao fracasso moral, mas que se não tivermos cuidado, tornará uma propaganda que pode se transformar em arma contra a verdade real.

Cinco meses depois dos fatos e mesmo depois do Ministério Público apresentar seu pronunciamento baseado em laudos técnicos e provas testemunhais, a SSP-BA apresenta um relatório investigativo contrário à tese do MP, com o único intuito de criar confusão no processo e gerar provas a favor dos réus, ignorando o fato de que o Ministério Público é o Dono da Ação Penal e que a Justiça acolheu a tese do Parquet.

O Secretario de Segurança se perde em discurso, conclui para as lentes de TV, para os editoriais de jornais, a tese sem validade de confronto e a alegação desrespeitosa de que eram traficantes os garotos mortos, como se ser traficante no Brasil justificasse juridicamente a injusta agressão, a execução e a morte. Ocorre que nesse caso especifico, não eram traficante, delinquentes ou meliantes, eram meninos negros com sonhos, potencialidades, filhos e mães que até hoje sentem a mão fascista do Governo do Estado da Bahia revirando seus úteros. Está confirmada a prática recorrente de execução sumária na Bahia

O Governo, pela prática nefasta e antijurídica da Secretaria de Segurança, estende a tragédia que vitimou os jovens do Cabula, dá pouca importância ao sofrimento e à dor dos familiares e amigos dos jovens. Promove o linchamento midiático, o linchamento moral de quem não está aqui para se defender, se protege atrás do muro de silêncio de um movimento social que aceitou a barbárie de forma pragmática porque é mais vital para certas organizações o repasse e editais e ainda promove dinâmica de grupo e reunião de autoajuda com uma guarnição facínora que deve ser extinta, bem como a instituição da policia militar.

Ocorre que o Ministério Público está plenamente convencido e a justiça aceitou a denúncia, restando aos policiais envolvidos responder ao processo que ainda pode arrolar outras testemunhas e produzir novas provas – o que seria desnecessário se estivéssemos num Estado de direito de fato.

Nós somos a Reaja, não vamos deixar nosso povo morrer e ficarmos em silêncio, não vamos aceitar ver as mães sendo violadas, e os matadores e executores fazendo mística e dancinha da igualdade sobre nossos túmulos.

 

Hamilton Borges dos Santos (Walê)

Membro da Campanha Reaja

Secretário Geral para a América Latina da IV Internacional Garveista

Direto da Cidade-túmulo Salvador

Rumo a III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro

Marcus Garvei

Marcus Garvey

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