Das Lutas

Coletivo

Cicatrizes nossas armas – organização, autonomia e a ação direta como potência da luta LGBT

raised fist patterned with the rainbow flag, symbolizing the fig

 

Por Luis Carlos de Alencar

A escalada fascista do fundamentalismo cristão não é de agora e não ocorreu sem condescendência ou mesmo aliança com muitos dos que hoje o atacam. Sem querer perder tempo chutando morto, adiantemos: os corpos LGBTs voltam a ser combustível para a corrida eleitoral, com facções da direita e extrema-direita se valendo de nossa carne para conseguir repercussões facepolíticas, visto que sua adesão ao governo Temer deixou explícito seu projeto de poder, até mesmo para a parcela direitista da sociedade que os apoiava (basta ver os incessantes ataques que vociferam em suas páginas). Como o ato nacional em prol da Escola sem Partido se mostrou um fiasco retumbante, estão descobrindo em um novo filão: a expressão artística de temática LGBT – o museuqueer e agora a peça em Jundiaí, foram exemplos da última semana.

O interesse é alimentar a máquina facebookeana e a sanguinolência fóbica que enfim sai do armário nesse país, e assim se manterem no imaginário efêmero das redes até, se conseguirem, as malditas eleições de 2018. Contrariando os que pensam os viúvos de 2016, há movimentações de resistência, ainda que em escalas e em territórios distintos da sintaxe política institucional. Nas ruas, academias e redes – e nas artes, como no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde filmes como “Meu Corpo É Político” e o avassalador curta “Estamos Todos Aqui” arrebataram as pessoas presentes, e para muitos são o que houve de melhor no festival até agora.

Escrevo isso no torpor da bipolaridade em que nos vemos: um avanço do neofascismo ao lado do florescimento dos desejos e corpos dissidentes em territórios impensáveis até poucos anos. Se não quisermos cometer erros históricos de achar que nada pode reverter isso (sim, pode ser revertido, não duvidem!), para a continuidade de nossa marcha é necessário não haver descanso, não basta sobrevivermos e nem jogar no colo de atravessadores mandatários que tutelem nossa política. A política por autonomia de nossos corpos não pode se resumir à audiência cativa das redes, nem se bastar em textões com nossas reflexões e angústias (como este). Organizar nossos corpos, nossos esforços coletivos, nossa criatividade e nossa coragem é fundamental para nossas ações diretas.

Intensifiquemos nossas narrativas e presenças, mas também nossa busca por autonomia, na construção do apoio mútuo entre nós, do acolhimento, da autodefesa, de organismos econômicos permanentes de autossustento da população LGBT, de novas relações afetivas, mas também econômicas e políticas, em alianças com a luta radical pela autonomia do povo negro, dos povos indígenas e do sindicalismo revolucionário, por uma construção de novos circuitos que façam fluir a seiva da nossa liberdade aqui e já! Contra o fascismo e sem estatismo!

Se como disse a canção “a liberdade está na dor”, carregamos cicatrizes suficientes para forjar nossas armas.

 

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Publicado em 17 de setembro de 2017 por em Gênero, Sexualidade.

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